8 mar 2010
“A Engrenagem Pútrida”, por B. P. Loureiro
Ainda tenho minhas dúvidas sobre como o Brasil, que tem muita gente que não presta, poderá ir para frente. Em cada depósito de esperança, surgem novas dÃvidas de desgraça
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Este paÃs é tomado por aproveitadores, corruptos, assassinos e ladrões desde o cerne de movimentos populares à s cúpulas de decisão.
           Os grandes debates polÃticos concentram-se no impasse entre Estado e mercado, mas deveriam primeiramente identificar onde está o “bem” e o “mal”.
Os fragmentos do mapa do Brasil são assenhoreados em vez de compartilhados pelos tupinicas. Há raras exceções dos que se marginalizam da engrenagem pútrida por discordar de seu funcionamento.
           O termo “engrenagem” substitui o eufemismo “sistema” porque este já faz parte do vocabulário da condescendência e da resignação. Receitas de um paÃs cuja culinária é apropriada pelos indivÃduos, grupos e paÃses pujantes.
           É fácil mudar um sofá de lugar, mas o mesmo não se pode dizer da cultura. Muito menos da cultura clientelista e vassala que se propaga na velocidade de um vÃrus H1N1 neste nosso “paÃs do futuro”.
           A venalidade dos polÃticos em corrida eleitoral anula qualquer pretensão de desenvolvimento no Brasil. O voto de um eleitor ponderado é imediatamente anulado pelo de outro que recebeu uma cesta básica para sustentar a horda de filhos que dispõem de um triste destino pré-natal: a pobreza espiritual e material. A produção em série de descendentes é interessante para os mordedores do mapa tupinica.
           É um problema duplo: de ordem educativa e econômico-social.
           Dando continuidade ao tema da decadência tupinica, entorpece o fato de que viver atrás das grades tem sido opção em vez de flagelo.
Somado à constatação de que “autoridades” têm direito a cela com televisão por assinatura e ar-condicionado, quando não burlam a justiça por sua posição de destaque nos negócios e na sociedade, o criminoso que recolhe a taxa mensal como segurado da Previdência Social tem direito ao auxÃlio-reclusão, que é uma bolsa de R$798,30 dirigida à famÃlia do presidiário que tiver filhos.
           O valor é maior que o salário mÃnimo de R$510. A condição de presidiário lhe dá esse direito renovável a cada três meses pelo tempo em que estiver recluÃdo. O criminoso sustenta a famÃlia sem laborar, enquanto o trabalhador livre muitas vezes ganha menos por uma atividade pesadÃssima e sofre as piores explorações, inclusive do próprio Estado.
O Brasil está nadando em merda.
           Presidiários deveriam trabalhar para a sociedade, por exemplo na colheita ou construção civil, em retribuição ao dano causado e na emulação de sistemas carcerários que funcionam. Não há desgraça pior que o nosso complexo presidiário.
Não tarda muito para que apareça a expressão de que “falta vontade polÃtica” para mudar uma situação cujo desajuste é evidente e impostergável.
           Nalgum momento de meu ativismo, expressei que podemos perder tudo menos a nossa capacidade de sonhar. Chegou o momento em que temos que elevar a sinalização de protesto antes de que o lugar mais digno de viver seja a placenta.
           Precisamos impulsionar a educação, reinventar a polÃtica e dizer basta aos excessos cometidos contra a cidadania. O mapa tupinica está cheio de mordidas e, por isso, apresenta-se desgastado.
Chegará o momento das pessoas de bem, que não farão oposição em prol de interesses de classe senão de um convÃvio coletivo e responsável.
A esperança reside naqueles que preservam os sonhos.












Realmente é um ótimo comentário sobre o que vem a ser nossa politica e nosso sistema prisional, como Loureiro comenta só nos resta sonhar
Fernando Preisler
março 8th, 2010 at 11:04permalink
CarÃssimo Loureiro. Eu diria que tá dificil até de sonhar.
Giovanni Castigliola
março 8th, 2010 at 18:37permalink